Uma Flor? – Uma Lágrima

M Machado de Assis
0 Altın Yaprak
Pedem-se as rosas aos jardins da vida; Da rocha inculta só rebentam cardos; Lágrima fria de pisados olhos Não cabe em chão de pérolas. — Por que há de a musa que coroam rosas Vir debruçar-se no ervaçal inculto, E pedir um perfume à flor da noite Que o vento enregelara? Minha musa é a virgem das florestas Sentada à sombra da palmeira antiga; Cantando, e só — por uma noite amarga Uma canção de lágrimas... A aura noturna perpassou-lhe as tranças, A mão do inverno enregelou-lhe os seios, Roçou-lhe as asas na carreira ardente O anjo das tempestades. Por que há de a musa que coroam rosas Pedir-lhe um canto? O alaúde é belo Quando amestrada mão lhe roça as cordas Num canto onipotente. Pede-se acaso à ave que rasteja Rasgado vôo? ao espinhal perfumes? Risos da madrugada ao céu da noite Sem luar nem estrelas? Pedem-se as rosas aos jardins da vida; Da rocha inculta só rebentam cardos; Lágrima fria de pisados olhos Não cabe em chão de pérolas.

Metnin kaynağı: Kamu malı arşiv

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