Ausência

W Wislawa Szymborska Wislawa Szymborska
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Pouco faltou para que a minha mãe casasse com o senhor Zbigniew B. de Zduńska Wola. E se tivessem uma filha - não seria eu. Talvez tivesse uma memória melhor do que a minha para nomes, caras e canções, ouvidas uma só vez. Reconhecesse sem errar os pássaros. Com excelentes notas a Físico-Química e piores a Polaco, mas que às escondidas escrevesse poemas logo muito melhores do que os meus. Pouco faltou para que o meu pai casasse por essa altura com a menina Jadwiga R. de Zakopane. E se tivessem uma filha - não seria eu. Talvez fosse mais teimosa na aposta em si. Não tivesse medo de saltar para águas fundas. Propensa a ceder a emoções coletivas. Vista em vários lugares ao mesmo tempo, poucas vezes debruçada sobre um livro, muitas vezes nas traseiras a jogar à bola com os rapazes. Até seria possível que se encontrassem na mesma escola e na mesma turma. Mas não seriam parceiras, nem sequer aparentadas e na fotografia de grupo estariam longe uma da outra. Meninas, posem aqui deste lado! - exclamaria o fotógrafo. - As mais baixas à frente e as mais altas atrás. E façam o favor de sorrir quando eu der o sinal. Mas antes, contem lá se estão todas presentes. - Sim, senhor, estamos todas.

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