A cada instante, Amor, a cada instante No duvidoso mar de meu cuidado Sinto de novo um mal, e desmaiado Entrego aos ventos a esperança errante.…
Adeus, ídolo belo, adeus, querido, Ingrato bem; adeus: em paz te fica; E essa vitória mísera publica, Que tens barbaramente conseguido.…
Ai de mim! como estou tão descuidado! Como do meu rebanho assim me esqueço, Que vendo o trasmalhar no mato espesso, Em lugar de o tornar, fico pasmado!…
Ai Nise amada! se este meu tormento, Se estes meus sentidíssimos gemidos Lá no teu peito, lá nos teus ouvidos Achar pudessem brando acolhimento;…
Altas serras, que ao Céu estais servindo De muralhas, que o tempo não profana, Se Gigantes não sois, que a forma humana Em duras penhas foram confundindo?…
Apenas rebentava no oriente A clara luz da aurora, quando Fido, O repouso deixando aborrecido, Se punha a contemplar no mal, que sente.…
Apressa se a tocar o caminhante O pouso, que lhe marca a luz do dia; E da sua esperança se confia, Que chegue a entrar no porto o navegante;…
Aquela cinta azul, que o céu estende A nossa mão esquerda, aquele grito, Com que está toda a noite o corvo aflito Dizendo um não sei quê, que não se entende;…
Aquele, que enfermou de desgraçado, Não espere encontrar ventura alguma: Que o Céu ninguém consente, que presuma, Que possa dominar seu duro fado.…
Aqui sobre esta pedra, áspera, e dura, Teu nome hei de estampar, ó Francelisa, A ver, se o bruto mármore eterniza A tua, mais que ingrata, formosura.…
Bela imagem, emprego idolatrado, Que sempre na memória repetido, Estás, doce ocasião de meu gemido, Assegurando a fé de meu cuidado.…
Brandas ribeiras, quanto estou contente De ver nos outra vez, se isto é verdade! Quanto me alegra ouvir a suavidade, Com que Fílis entoa a voz cadente!…
Breves horas, Amor, há, que eu gozava A glória, que minha alma apetecia; E sem desconfiar da aleivosia, Teu lisonjeiro obséquio acreditava.…
Breves horas, que em rápida porfia Ides seguindo infausto movimento, Oh como o vosso curso foi violento, Quando soubestes, que eu vos possuía!…
Campos, que ao respirar meu triste peito Murcha, e seca tornais vossa verdura, Não vos assuste a pálida figura, Com que o meu rosto vedes tão desfeito.…
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