«Deixa-me, fonte!» Dizia A flor, tonta de terror. E a fonte, sonora e fria, Cantava, levando a flor.…
Sou como a corça ferida Que vai, sedenta e arquejante, Gastando uns restos de vida Em busca da agua distante.…
Só vivo as horas que passo Junto de ti, meu amor, Tua cintura em meu braço, Meu beijo em tua bocca em flor...…
Na sombra do murtal, cujas flores a leve Aragem, desgrinalda em turbilhões de neve, Ella vagueia a sós... E como vai formosa! Tem como uma frescura orvalhada de rosa…
Aves fugidias que passais em bando Pelo azul da tarde, sobre o azul do mar, Aves fugidias que passais cantando, Que fazeis? Passar.…
Olhos encantados, olhos côr do mar Olhos pensativos que fazeis sonhar! Que formosas coisas, quantas maravilhas…
— Mal me quer... bem me quer... — Será preciso Que uma flor assegure o que digo e tu vês ? O meu olhar, poisando em teu sorriso,…
Bellos amores perdidos, Muito fiz eu com perder-vos; Deixar-vos, sim: esquecer-vos Fôra de mais, não o fiz.…
Pela vasta noite indolente Voga um perfume estranho. Eu sonho... E aspiro o vago aroma ausente Do teu cabello castanho.…
— E si acaso voltar ? Que hei de dizer-lhe, quando Me perguntar por ti? — Dize-lhe que me viste, uma tarde, chorando ... Nessa tarde parti.…
Ela dormia... Sobre o alvor do leito Dezenhava-se, esplendida mirajem, Seu lindo corpo, escultural, perfeito.…
Quando passas, bem amada, — Clarão, perfume, harmonia — Raia o sol e rompe o dia Na minh’alma deslumbrada.…
O’ vasto mar perdido no horizonte, Movel planicie onde em tumulto as vagas O alvo lençol de espumas dezenrolam!…
Ela é tão meiga! Em seu olhar medrozo, Vago como os crepusculos do estio, Treme a ternura, como sobre um rio Treme a sombra de um bosque silenciozo.…
Eis o ninho abandonado Dos sonhos do nosso amor... E’ o mesmo o chão onde oscila A mesma sombra tranquila…
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