Amor! delírio - engano

G Gonçalves Dias
0 Altın Yaprak
Amor! delirio — engano... Sobre a terra Amor tão bem fruí; a vida inteira Concentrei n’um só ponto — ama-la, e sempre. Amei! — dedicação, ternura, extremos Scismou meo coração, scismou minha alma, — Minha alma que na taça da ventura Vida breve d’amor sorveo gostosa. Eu e ella, ambos nós, na terra ingrata Oásis, paraiso, eden ou templo Habitámos uma hora; e logo o tempo Com a foice roaz quebrou-lhe o encanto, Doce encanto que o amor nos fabricára. E eu sempre a via!.. quer nas nuvens d’oiro, Quando ia o sol nas vagas sepultar-se, Ou quer na branca nuvem que velava O circulo da lua, — quer no manto D’alvacenta neblina que baixava Sobre as folhas do bosque, muda e grave, Da tarde no cahir; nos céos, na terra, A ella, a ella só, vião meos olhos. Seo nome, sua voz — ouvia eu sempre; Ouvia-os no gemer da parda rola, No trepido correr da veia argentea, No respirar da brisa, no susurro. Do arvoredo frondoso, na harmonia Dos astros ineffavel; — o seo nome! Nos fugitivos sons de alguma frauta, Que da noite o silencio realçavão, Os ares e a amplidão divinisando, Ouvião meos ouvidos; e de ouvil-o Arfava de prazer meo peito ardente.

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