Precisamos Jesus, se não te sentes velho, Que cinjas novamente o resplendor de luz E venhas explicar a letra do evangelho A muitos que hoje vês prostrados ante a cruz!…
Eu quiz hontem sonhar, sentir como um romantico A doce embriaguez do pallido luar, Ouvindo em pleno azul passar o immenso cantico Dos astros no seu giro e em sua luta o mar!…
Ha muito que desceu das orientaes montanhas A hydra singular que espalha nas ardencias D'uma luta febril scintillações estranhas!…
Eu canto-vos, mulher, por que vos tenho visto Na palpebra vermelha a lagrima d'amôr, Que vem d'Eva a Maria—a doce mãe de Christo— Formando a stalactite immensa d'uma dô…
Á meza do festim, cercada de formosas, O canto dos cristaes e o scintillar dos vinhos Saudavam juntamente os bellos desalinhos Das galantes vizões das ceias luminozas!…
Eu gosto de velar a percorrer os mundos Ó noite dos bons canticos, Aos lividos clarões dos astros vagabundos Nos extasis romanticos,…
Passae larvas gentis na rua da cidade Aonde se atropella a turba folgazã; A noite é um tanto agreste e cheia d'humidade Mas o tedio mortal precisa a claridade…
Archanjo vae-te embora: é tarde: em nossas casas Talvez alguem se afflija; é tão deserta a rua!... Tu deves sentir frio! Embuça-te nas asas; Dá saudades á lua.…
Fazia hontem já tarde um nevoeiro espesso. —Que insonia em mim produz este humido vapor!— Eu vinha enfastiado, ou turvo, emfim confesso, Dos fumos do café, da luz e do…
Eu não professo muito o culto das ruinas. Prefiro uma officina ás velhas barbacãs; Das velhinhas, porém, mirradas, pequeninas, No entanto nunca insulto as prateadas cãns.…
Eu vejo muita vez e raro já me assombro —Minha alma tanto afiz ás tristes commoções!— Na rua, junto a mim, passar hombro com hombro No transito penozo as longas prociss…
Pois que visões! não cessa a rapida corrida E seja noite ou dia, Volteadoras crueis! vós sempre a toda a brida Na minha phantasia!…
Agora és todo nosso: a rude voz da historia Já póde hoje falar E dar-te um balancete ás nodoas e á gloria Rei-sol de boulevard.…
Trazei mortos á valla; a hydra está com fome E deve ser-lhe longa a hora em que não come! Olhae como ella mostra aquelles que a vão ver, Inerte, sem pudor, de fauce escancarada,…
Boas noites coveiro: a tua enxada Não cessa ha tanto tempo de cavar?! Cavalleiro da morte, ó fronte desolada Não sentes a mão tremula e cançada…
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