Á Hora do Silencio

G Guilherme de Azevedo
0 Altın Yaprak
Eu quiz hontem sonhar, sentir como um romantico A doce embriaguez do pallido luar, Ouvindo em pleno azul passar o immenso cantico Dos astros no seu giro e em sua luta o mar! A cidade dormia o somno dos devassos; Aquelle somno turvo, infecto e sensual: E a lua, antiga fada, erguia nos espaços Tranquilla e sempre ingenua a fronte de vestal! E sobre a quietação das coisas vis e exoticas Sentiam-se as febrís, crueis respirações, Dos tristes hospitaes e das virgens clorothicas, Dos amantes fataes da febre e das paixões! A noite era em silencio, a athmosphera doce E ria a natureza aos beijos d'um bom Deus. De subito escutei, ao longe, o quer que fosse D'um canto que suppuz então baixar dos céos! Attento ao vago som, porém, a pouco e pouco Senti que era uma voz disforme e sensual, Soltando uma canção n'aquelle accento rouco Da triste inspiração alcoolica e brutal!... Ó terna vagabunda, enamorada lua! Emquanto ias assim, diaphana e sem véo, Uma triste mulher passava, então, na rua Cuspindo uma porção d'infamias para o céo!

Metnin kaynağı: Kamu malı arşiv

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